ASSISTINDO NOVELAS
Lourdes Eufrásia Torres da Silva
Quem não gosta no final de um dia cansativo - principalmente as mulheres sentarem-se em frente à televisão e assistir sua novela preferida? Com seus galãs e os mocinhos que lhes deixam encantadas, que lhes fazem sonhar, e tiram da realidade, e por algumas horas viver na ficção.
Assistindo a novela da Rede Globo “Caras e Bocas”, pude perceber um enredo muito engraçado, pois ela é mais humorística, abordando um tema de comédia romântica de Dafne e Gabriel e aborda também o problema da personagem Anita com deficiência visual; assisti também o tema de traição conjugal, que fica nas entrelinhas se Damião é traído ou não pela sua esposa, que tem Antenor como seu irmão, mas que deixa o público na dúvida e curiosidade em saber se é ou não irmão dela.
A novela é livre para todas as idades.
Ela trata de assuntos culturais, pois as personagens principais trabalham com arte, principalmente a pintura, e o que há de mais berrante que o principal artista de uma exposição é um chimpanzé (Chico), é aí que falta a ética da personagem de Denis, pai do espeto, que vendem seus quadros como se fosse ele o pintor. Na novela há muitos valores religiosos, principalmente a religião católica, pois já aconteceram vários casamentos e sempre na mesma igreja católica e sempre com o mesmo padre. Há também racismo, por parte da família da personagem Laís que namora o Caco, que estão sempre querendo colocar o rapaz em maus lençóis, por ele ser de etnia africana a família acredita que ele é também ignorante e sem instrução. A novela também aborda o homossexualismo, só que de modo muito humorístico e sem exagero, pois o Cássio agora é HOMEM (será?).
As personagens têm características de pessoas urbanas; somente os que são da classe média se vestem com exuberância e mais glamour, como as personagens: Dafne, Judite, Simone e Tatiana (judia). Já a de classe baixa (pobre) e como trabalham em um bar se vestem humildemente de avental e pano na cabeça. O linguajar deles se destaca mais na família de Damião, pois são nordestinos, e há até um chavão dito por ele “Misericórdia”!
Como todo programa de televisão há o patrocinador e sempre nos intervalos há propaganda das lojas Marisa, e dentro da própria novela há propaganda de uma loja de investimentos financeiros. Os patrocinadores como forma de mostrar seus produtos estão encaixados sob medida no horário, pois quem não está endividado hoje em dia? Quem não precisa de uma saída para suas dívidas? E como o maior público da novela é de mulheres e adolescentes o comercial das lojas Marisa vai bem, isto é para quem tem. Quem não tem corre para as lojas FINIVEST (TUDO MUITO BEM BOLADO HEIM?)
Fazendo uma análise da novela, vejo como uma fonte de apelação de amores desencontrados, de famílias desestruturadas.
Vejo a novela como uma grande poluição audiovisual, pois uma personagem se veste de freira e apela várias vezes por misericórdia, um macaco que é melhor que um ser humano e vejo o retrato de um Brasil que se coloca a frente da televisão para se divertir e não saber o que está assistindo, só sabe que no outro dia vai saber discutir com a vizinha o capítulo terminado e como será o próximo.
Eu mudaria na novela o chimpanzé por um homem sem instrução, mas dotado de grandes dons artísticos e abordaria a deficiência Visual da Anita de outra forma, pois o enfoque no momento é somente o namoro, daria mais importância à vida profissional dela.
Como não sou autora e sim estudante de Artes Visuais, vou assistindo telenovelas, mas depois desse trabalho com um novo olhar: um olhar mais crítico do que estou assistindo e sabendo peneirar o que vai servir para meu crescimento intelectual e moral.
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
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